A urgência dos diálogos

Quando a história das relações humanas ganha um grau de institucionalização, chamamos isso de “sociedade”. Claro que os sociólogos, com muita razão, irão considerar muito rasa, quase irresponsável, uma definição assim. Por isso, esclareço que se trata de um esforço didático. Se as relações são entre pessoas unidas por afetos, chamamos essa sociedade de família; se a relação é para finalidades comerciais, chamamos de empresa; se é para fins educacionais, chamamos de escola; e muitos outros exemplos poderíamos oferecer.

E sociedades se constituem, independentemente de suas finalidades, a partir do diálogo. Uns mais profundos e filosóficos, outros mais práticos, mas sempre são os diálogos que fundam qualquer sociedade. Mas por que é assim? Por uma razão simples: qualquer sociedade é formada pela conjugação de interesses, de pessoas, de ideais muito diversos. Por um lado, não podemos imaginar que as pessoas saibam, magicamente, como pensamos, como queremos as coisas, como imaginamos as soluções. Por outro lado, já conhecemos as realidades criadas a partir de uma única ideia, uma única postura, uma única maneira de ver as coisas.

Não há exemplo mais imaginativo para entender toda essa filosofia do que a família (tenha ela que formato tiver). Um filho não pode imaginar o que se passa na cabeça de seus pais, a não ser que – através do diálogo – seus pais se deem a conhecer. E se prevalecer apenas a única opinião do pai, por exemplo, já sabemos que a coisa desandou.

Por tudo isso, dialogar é uma urgência. Precisamos oferecer ao outro a oportunidade de conhecer como pensamos e o porquê de pensarmos diferente, quando é o caso. Precisamos também saber ouvir o que o outro pensa, procurar entender as diferenças e, inclusive, respeitar essa possibilidade de que esse outro pense diferente de nós.

Fonte: http://www.riovalejornal.com.br/userfiles/image/materias/2013

 

Impor ao outro – seja ao filho, ao funcionário, ao barbeiro, ou quem quer que seja – nossa maneira de pensar e ver o mundo é uma atitude atrasada, pouco civilizada. É quase um indicativo de falta de inteligência. “Engolir” o que o outro pensa, simplesmente porque o outro é uma autoridade civil ou religiosa, é uma pessoa de posses ou fala mais alto, também não cria diálogo.

As sociedades mais autênticas e mais prósperas nascem e se desenvolvem através do diálogo. Precisamos voltar a conversar humanamente, confrontando-nos com ideias diferentes, mas sempre com respeito. Precisamos ultrapassar os limites do Whatsapp e do Facebook e enfrentar nossas diferenças em praça pública, exercendo o verdadeiro poder da Política, com “P” maiúsculo. Através do diálogo, sempre.

Doutor em Filosofia e Teologia, Diretor do Colégio Marista Palmas - TO, membro do Conselho Estadual de Educação do Estado do Tocantins. E-mail: diretor.palmas@marista.edu.br
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