adoção

Adoção: Estórias x Histórias

Adoção é um tema difícil para ser abordado, onde estórias se misturam com as historias, e fazem com que o assunto se perca entre fantasias e realidade.

Eu poderia começar o texto comentado sobre a Idade Média, onde a Igreja católica  era contraria a  adoção porque ela a via como “adversária” do casamento, pois se pessoas podiam ter filhos não naturais para a imitação da natureza e amparo delas na velhice, poderiam desestimular e   dispensar o matrimônio; Nos dias de hoje  a igreja rejeita veementemente a adoção de crianças por parceiros homo afetivos, provavelmente devido a raízes culturais também da Idade Média  que homossexualidade estava mais presente nos mosteiros e nos acampamentos militares. Mesmo assim, curiosamente, era a Igreja, por meio da Santa Inquisição, a maior perseguidora dos homossexuais. Para a Igreja, a sodomia era o maior dos crimes, pior até mesmo que o incesto entre mãe e filho.

Para esses que são contra esse tipo de adoção é bom  que saibam que :

“Se o casal tem todas as características de uma união estável – vivem juntas com o intuito de constituir família, tem uma relação pública e duradoura – não importa o sexo das pessoas. Elas devem ser tratadas com todos os direitos de uma família. Podem adotar em conjunto”.( BRASIL. Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Apelação Cível nº 70013801592. Porto Alegre, RS. Disponível em: www.tj.rs.gov.br .)

Porém os problemas da adoção não ficam atrelados aos paradigmas culturais impostos por regimes antigos, ele esta também vinculado a uma verdade muito mais profunda.

Hoje (Maio/2010) temos em todo o País cerca de 4.861 crianças para adoção, sendo  2.174 do sexo feminino e  2.687 do sexo masculino (Fonte www.cnj.jus.br/) é… Parece muitas crianças? Bem… E pessoas querendo adotar? Quantas? Eu respondo… Tem 27.818 pessoas dispostas a adotar uma criança.

A grande questão é: se tem mais que cinco vezes a quantia de interessados, por que não se concretiza essa adoção?

Talvez encontremos em outros números as respostas, por exemplo, dessas crianças, mais de 3.000 são negras ou pardas; mais de 1.300 tem irmãos, mais de 2.000 tem entre 8 e 12 anos, não vou  mencionar as crianças com doenças ou deficientes…mas o numero é “razoável”  em algumas regiões.

Ou seja… Esses aparentes “interessados” presos aos preconceitos, e tabus, querem crianças de zero a cinco anos, loirinhas de olhos azuis, e sem problemas seja de saúde física ou mental.

Casais sem filhos devido a diversos motivos, procuram direta e indiretamente  formas para dar continuidade a família, quando se esgota todas as possibilidades, ela opta pela adoção.

Percebe-se ai, o puro e simples egoísmo, pois em momento algum pensam na criança, na carência dela em ter uma família.

Extraindo raras exceções, a maioria desses “interessados”, só se apegam em seus novos filhos, após um  certo período, onde  seria mais uma adaptação/avaliação, testando essas crianças, com puro interesse de os aprovar ou não como seus futuros herdeiros.

Seria injusto de minha parte, não dizer que existem aqueles que aceitam a criança, de qualquer cor, sexo ou estado de saúde, mas também seria hipocrisia não comentar que a “história” real é que esses anjos são  uma minoria.

A realidade, é que nossa cultura é preconceituosa, nossos critérios são construídos em cima de paradigmas com relação à cor, sexo, e mesmo doenças.

“Todo filho precisa ser necessariamente adotado, mesmo aqueles que geramos. Se não  vivermos a experiência nem instalarmos o processo de aceitação  daquele que gostamos,  estaremos apenas sendo genitores e não propriamente pais.” ( Schcttini Filho)

Talvez se criássemos nossos filhos sem esses preconceitos, no amanhã não haveria tantas crianças para adoção.

Marcos Paterra
Graduando em Psicopedagogia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), articulista do Movimento Espírita e da Revista Internacional de Espiritismo.
Autor / Co-Autores: