Como identificar um Louco ou Anti-manifesto de Lucidez Contemporânea

Agambem diz que a maturidade é a morte da magia. Somos crianças enquanto vivemos experiências mágicas, enquanto alimentamos o feiticeiro ou a bruxa [porque não] que existe em algum lugar. Esse lugar pode ser nosso “Eu” – quiçá – nossos “EuS”.

Ouvimos constantemente que o Louco fala sozinho.

Ou será que nós habitantes da mutação analógico-digital ouvíamos?
Podemos contar para nossos filhos que os Loucos – antigamente – falavam sozinhos?

Os grandes futuristas já imaginavam trocas entre máquinas e organismos que a contemporaneidade arrancou das ficções e jogou lentamente na vida cotidiana. Hoje podemos conversar só, sem ser estigmatizado de Louco. Fantástico: a tecnologia a serviço da popularização da Loucura.

Pois digo, hodiernamente ser Louco não é mais uma “opção bio-psico-social-e-o-escambau”, mas um dever. Tenho que atender o celular, aliás já sou quase obrigado – vide o futuro – a ter que aparecer cada vez que falo ao telefone. Criamos uma nova ética-estética das comunicações imediatas…

Seremos Normais utilizando a tecnologia dos Loucos para comunicar olhando um espelho.

Que bacana!

Um espelho mágico semelhante ao que a Bruxa [olha ela aíoutra vez] observava a simpática Branca de Neve arrumando o quarto dos numerosos e também simpáticos anões…

Ou você realmente acredita que a reprodução da imagem através da decodificação em números binários é possível sem mágica?
Acredita?

Tudo bem, somos livres para acreditar em quantas verdades desejarmos.

Mas aposto que você já ficou algum tempo conversando “só” cercado de aparelhagens tecnológicas.

Quase a mesma cena de uma criança com seus brinquedos. O que muda é a magia.