Grades que nos educam

Somos frutos do meio? Até que ponto nossas personalidades refutam as nossas escolhas?

A educação e o acesso a cultura podem desenvolver o ser? Ou já nascemos com personalidades, que independentemente das oportunidades e experiências de vida, vamos aflorando aquilo que já somos?

Ladrões, psicóticos, lideres espirituais ou pessoas de bem?

Este texto é uma reflexão, sobre o que se desenvolve naturalmente nos seres, e o que os seres se permitem desenvolver. Uma reflexão, sobre os valores que nos foram ensinados, e os valores que carregamos em nossas personalidades.

Dois irmãos gêmeos, que nasceram de uma mesma mãe, desfrutaram de uma mesma educação e acessibilidade à informação, como podem ser tão diferentes? Seria pelas oportunidades e experiências, somente?

Seria mesmo possível reinserir, um cidadão que comete atos violentos? Ou seria ele uma mente doentia incurável, que necessita eternamente de cuidados e tratamentos psiquiátricos? Até que ponto, este ser, poderia novamente reconquistar a confiança da sociedade?

O berço em que nascemos define quem somos e quem seremos?

Ou ajudaria, a encontrar sempre, novas opções, para solucionar nossos problemas?

A sua historia define quem você é? Ou a sua vida, foi resultado de tentativas, que aflorou o seu mais alto grau de instinto de sobrevivência, e deixou de lado a compaixão e atitudes humanitárias?

Reflita, quais são as grades que educam a nossa sociedade. O acesso à informação, alimentação, saneamento básico, estrutura familiar, definem as pessoas de caráter e sucesso? A ética e a moralidade, não são questões de escolhas, e sim de oportunidade?

De acordo com REIS (1999), em o Modelo Metateorico da Psicologia da saúde:

“Não há fronteirass entre o biológico, o psicológico e o social, pois eles constituem-se num todo integrado. Os pensamentos, crenças e sentimentos estão encarnados no corpo. As vivências pessoais da pessoa, o seu ambiente, os seus pensamentos, sentimentos e crenças vivem intimamente com os seus músculos, tendões, ossos, nervos, hormonas e posturas corporeas”

Assim, não há como separarmos o ser de sua estrutura física, suas características de personalidade e contexto socio-cultural. Suas escolhas de vida, são provenientes das suas experiências, de ordem física, psiquica e sociail: BIO – PSICO – SOCIAL.

Talvez, algumas grades que a sociedade busca para manter o controle social, não consiga reinserir o indivíduo ao meio, e sim, se prontifica a manter uma imposição à ordem.

Claro que a necessidade à ordem é inerente para o fortalecimento de uma sociedade. Mas a dialética de confinamento e isolamento, talvez sejam casos a serem repensados, pois muitos destes lugares não promovem à integração moral do sujeito, que por muitas vezes, são cidadãos, imersos em um contextos de violencia e negligencias, que não conseguem ser aceitos pela nossa sociedade, e se rebelam.

“As metodologias visam juntar todos os aspectos da pessoa de forma a que esta se possa experienciar como um organismo unitário, em vez de uma mistura de partes e em que todas as dimenções têm de ser conectadas ou ligadas dialecticamente para promover e facilitar o processo preventivo ou de tratamento” (KEPNER, 1987).

Se faz parte da construção da nossa estrutura psíquica, o meio em que vivemos e nos relacionamos, fica evidente aos métodos de punição e ordem, não promover a reinserção do indivíduo.

Por fim, levando-se em conta, os três modelos, BIO – PSICO – SOCIAL, percebe-se que as grades que nos educam, são resultados de vários fatores, desde o nosso nascimento, até o fim de nossos dias.

Luiz Izidoro
Produtor Editorial, acadêmico de Psicologia no CEULP/ULBRA, voluntário no (En)Cena – A Saúde Mental em Movimento. www.REALIMAGEM.com