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Infantilismo: como ajudar adultos que agem de maneira infantil?

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Vocês já devem ter escutado a expressão “mantenha sempre viva sua criança interior”, ou algo assim do gênero. Pois bem, existem casos em que esta “criança interior” é exteriorizada de maneira intensa e visceral, a ponto de levar adultos a se comportarem como crianças. Usam roupas de bebês (mandam fazer e adaptam para o seu corpo), usam mamadeira, chupeta e até fraldas. Falam e se comportam como um bebê. Dormem em berços, brincam com seus ursinhos de pelúcia, bonecas e todos os mimos que um bebê ficaria encantado. O enxoval completo. Este é o infantilismo.

O infantilismo nunca pode ser confundido com pedofilia ou qualquer prática imoral e criminosa, pois suas práticas jamais envolvem crianças, e sim o desejo de se tornar uma criança. No infantilismo temos os adult baby, ou os bebês-adultos que sentem um prazer muito grande em agir de maneira infantil, com dengos e jeitos característicos de um bebê. Existem ainda os Diaper-Lover (amante de fraldas) e pode também acontecer na adolescência, os teen baby.  A interação com outro infantilista não é condição para vivenciar o universo do bebê, mas aqueles que interagem com o adulto-bebê são chamados de Mommy (mãe), Daddy (pai) ou Baby-Sitter(babá).

Em alguns casos existe a prática do spanking (surra ou palmada), que é uma das vertentes do BDSM (Bondage, Disciplina, Sadismo e Masoquismo). O spanking é o fetiche de quem sente prazer em dar ou levar tapas (palmadas) no bumbum de seu parceiro(a), mas não deve ser associado com agressões físicas como espancamento. Nesta dramatização existe quem assume o comportamento infantil e aquele que cuida, numa posição mais autoritária. Quem bate é o(a) spanker e quem apanha é o(a) spankee. Muitos praticantes do infantilismo assumem idades entre um a três anos e solicitam a outras pessoas, geralmente quem também é praticante do infantilismo, para darem mamadeira a ele, trocar as fraldas, afinal, chegam a urinar e defecar nelas.


Muitos adeptos do infantilismo não associam esta prática com intenções ou conotações sexuais, pois, o prazer em ser como um bebê satisfaz, possivelmente porque o faz relembrar e reviver as sensações agradáveis que teve na própria infância. Fazendo uma alusão à psicanálise, esta fixação estaria localizada nas primeiras fases do desenvolvimento sexual infantil, as fases oral, anal e fálica, que são vivências e descobertas importantes para compor a personalidade do indivíduo. Fases de reconhecimento do próprio corpo e zonas erógenas como a boca, o esfíncter e o genital.

A fantasia implícita ao infantilismo proporciona prazer e satisfação, portanto, existem aspectos eróticos relacionados a esta prática. Pode ser considerada uma parafilia, ou seja, a excitação e o prazer sexual não estão atrelados à cópula, mas alguma outra atividade e que envolve satisfação sexual. O infantilismo também é conhecido como anacletismo ou autonepiofilia.

Este retorno permanente a infância gera um conflito emocional, pois, a pessoa passa a usar objetos e utensílios que não são comuns a sua idade cronológica e que destoa do que é esperado de um adulto. Conflito que consiste em não abdicar da vida infantil, mas se vê obrigado a assumir seu papel social de adulto, com obrigações e responsabilidades. Muitos praticantes do infantilismo sentem-se vulneráveis e expostos diante de outras pessoas por conta dos hábitos inusitados.

As causas do infantilismo variam, mas o comportamento infantilizado estaria relacionado a conflitos vividos na infância como falta de atenção e afeto, sentir-se diminuído ou rejeitado em relação a um bebê ou ser tratado pelos pais como uma “eterna” criança. Adultos com comportamentos infantis podem denunciar uma incapacidade de lidar com pressão e responsabilidades, além de não conseguir se posicionar de forma madura quanto às exigências sociais e se vitimizam frequentemente.

Psicólogo, formado pela Universidade São Judas Tadeu desde 2004, psicoterapeuta clínico especialista em sexualidade humana, pós-graduado em Arteterapia pela Universidade São Judas Tadeu e Hipnose Clínica pela PUC-SP. Prof. da Faculdade Santa Marcelina. Articulista sobre artigos ligados à psicologia, sexualidade, comportamento e tendências dos sites Mix Brasil (portal UOL), Be Style (postal R7), portal Terra e IG e ainda nos sites Top Vitrine e Nosso Clubinho (conteúdo infantil).
  • Joanna Marcos

    Bom o texto mas e a conclusão?