Quando as bibliotecas desintoxicam a mente

Confesse. Certamente, em alguma época, você já experimentou (ou viu amigos experimentarem) o quão tenebroso é ser levado às “masmorras” do castigo estudantil. Esse castigo tinha nome e sobrenome. Atendia por “biblioteca escolar”.

Antes de tudo, é importante discorrer rapidamente sobre o que é uma “biblioteca” e o que é uma Biblioteca. A primeira geralmente está vinculada a um armazém de livros velhos, empoeirados, esperando por um leitor aventureiro que tope o desafio de passar parte do seu dia neste local, seja pela necessidade de uma pesquisa-suicida ou por um “castigo”. É a “masmorra”. Não há vida, não há movimento, não há promoção da leitura. Eu mesmo já passei por uma dessas.

A Biblioteca é diferente. É alicerçada em princípios que visam ao bem-estar do leitor/usuário, oferecendo-lhe diferentes suportes informacionais, organizados, geridos e disseminados através de práticas biblioteconômicas por profissionais que atuam como gestores de informação. Todo o espaço físico e demais recursos são pensados e planejados, seja no âmbito infantil ou não. Pesquisadores locais e remotos podem acessar a informação desejada através de catálogos on-line ou Serviços de Referência e atendimento.

A Biblioteca pode ser vista sob essa ótica nos mais variados segmentos: nacional, pública, digital, escolar, volante, empresarial, especial, especializada, universitária etc.

Projeto de Biblioteca volante (Foto: divulgação)

Feitos os esclarecimentos, não há dúvidas: é possível apontar a Biblioteca como um dos diversos espaços que podem “desintoxicar” a mente. É a leitura como respiração do intelecto. Ficaremos com a segunda opção para embasar o presente raciocínio.

Outro fator a ser destacado é a ideia de que o próprio hábito de utilização das Bibliotecas à época, por exemplo, da vida acadêmica, pode ser motivado por uma experiência positiva durante a infância. A presença de livros em casa, a leitura compartilhada entre pais e filhos ou a visita a espaços de leitura infantis podem se revelar como aspectos positivos no desenvolvimento do leitor. Além disso, é na Biblioteca infantil ou escolar que o indivíduo terá seus primeiros contatos com as fontes de pesquisa, como dicionários, enciclopédias, atlas, globos, revistas, CD-ROMS, internet, jogos etc.

Leitura infantil: necessidade e incentivo (Foto: divulgação)

 

Muitas Bibliotecas apresentam programas de incentivo à leitura como círculos de contos, exibição de filmes, palestras, pequenos espetáculos, prêmios, etc. E os exemplos, em diversos Estados, são positivos.

Biblioteca infantil (Foto: divulgação)

É essencial que os esforços realizados em prol das atividades que promovam o desenvolvimento do indivíduo enquanto leitor sejam separados das catastróficas “masmorras” que intoxicam as ideias sobre o papel e a necessidade das bibliotecas. Os maus exemplos serão sempre péssimos rótulos. Vale a pena experimentar a atmosfera que envolve uma verdadeira Biblioteca. A experiência poderá gerar frutos a serem colhidos não apenas no presente, mas no futuro de leitores e usuários, nas mais diversificadas áreas do conhecimento.

Thiago Cirne
Graduado em Biblioteconomia pela UNIRIO. Especialista em Jornalismo Cultural pela UERJ. Mestrando em Biblioteconomia pela UNIRIO. Organiza o Blog Incunábulos (https://incunabulos.wordpress.com) - thiagocirne@gmail.com
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