Um olhar sobre a hiperatividade

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A hiperatividade é a característica comumente mais abordada ao se falar em Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), mas é importante frisar que o TDAH é caracterizado por um padrão comportamental infantil, onde a criança apresenta dificuldades de manter  concentração, são  impulsivas e  agitadas.

Um dos grandes problemas atuais é o fato de o distúrbio ser facilmente confundido com características normais de crianças, uma vez que é comum as crianças serem mais ativas, agitadas. Em geral o TDAH é um dilema para os pais, que tem dificuldade na educação dos seus filhos, mas em nosso tempo, pelo vasto acesso a informações, às crianças são muito mais estimuladas do que ha duas décadas, por exemplo, o que justifica, quase sempre, o comportamento agitado das crianças atualmente.

A educação de crianças tem se tornado cada vez desafiadora para pais e professores.  O termo hiperatividade caiu nas graças dos pais que vem no diagnóstico um pretexto para não lidar o problema. É muito mais fácil estigmatizar e vitimar a criança, justificando seu comportamento com o TDAH, que se empenhar em proporcionar uma educação de qualidade, muitas vezes apenas impondo limites a seu filho, o pai já consegue grandes melhorias.

E dessa forma a hiperatividade virou moda, e virou sinônimo de infância. As mídias televisivas se apropriam do termo, e fazem alarde, em matérias resumidas que explicam muito mal as reais características do diagnostico de TDAH, seria ma justificativa para os pais aceitarem tão alegremente transtorno ao autodiagnosticarem seus filhos.

Mas não dá para culpar os pais. Cabe ressaltar que eles acabam repetindo, com seus filhos, uma educação baseada naquela que receberam de seus pais. Estamos presos a um regime disciplinar que nos molda desde a infância.

Outro fator relevante para se entender essa mudança no perfil da infância em nosso século, é que as crianças hoje chegam muito mais cedo na escola, e entram em contato com uma situação totalmente nova, muitas vezes essa criança não é bem estimulada em casa, e por não atender as expectativas do professor acabam recebendo um rotulo, e sendo encaminhada para acompanhamento profissional. Nesse ponto, é que entra o psicólogo e sua psicologia, no entendimento dessa criança. O problema é que existem profissionais e profissionais. Basta uma avaliação mal feita e pronto: instaurou-se o caos. Enquanto profissionais da área da saúde em geral, temos uma responsabilidade com a vida de nossos clientes, e com as consequências que nossos erros podem acarretar em sua vida.

As crianças estão cada vez mais cheias de atividades para fazer durante o dia, o que muitas vezes, é uma estratégia dos pais de se livrarem do problema, ocupam o dia do filho com diversas atividades. E, ao mesmo tempo em que se aumentou o número de atividades, aumenta-se a cobrança em cima dessas crianças, que são forçadas a maturar-se mais rápido, muito antes do que elas estavam preparadas. Geralmente nos esquecemos de que crianças são apenas crianças.

Vale ressaltar que a hiperatividade assinalar-se por um sintomatológico de atividade constante que perpetua noite e dia. Geralmente, durante o dia, o hiperativo está em intenso movimento, executando diversas atividades ao mesmo tempo, e à noite tem insônia ou, quando dorme, tem um sono agitado.

O principal atributo da hiperatividade é a atividade interrupta do cérebro, onde ainda após o cansaço físico, o mesmo continua em funcionamento. E para sanar o problema é necessário, além de um diagnostico diferenciado, um tratamento específico respeitando a singularidade de cada paciente. Pois a hiperatividade é muito particular e responde diferentemente no aspecto singular de cada individuo.

Enfim, é preciso dissociar o conceito de hiperatividade ao termo de uma simples agitação presente em algumas crianças, pois a característica hiperativa do TDAH é muito mais que um comportamento agitado, tal aspecto e exige uma forma mais rigorosa de ser tratada. Sendo assim, vale ressaltar que: primeiro, é imprescindível conhecer o assunto antes de rotular crianças sem o mínimo conhecimento contextual.

Rafaela Almeida Brandão
Psicóloga, graduada em Pedagogia pelo CEULP/ULBRA.
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