a dama e o vagabundo

Valentine’s Day: Amor no atacado e varejo

Quando penso em dia dos namorados, a primeira coisa que me vem à cabeça é a cena do desenho de animação da Disney, onde A Dama e o Vagabundo dividem uma travessa de espaguete. E quem não se lembra do fio de macarrão que termina em um singelo beijo canino? Eu e meus irmãos vibrávamos nessa cena, ainda sem maliciar o beijo, o romantismo era o que imperava.

Os anos se passaram, mas a cena sempre se repetia todo 12 de junho. A Dama e o Vagabundo foram eleitos, por vários blogs e revistas, como protagonistas de um dos beijos mais famosos da história do cinema.

Hoje, os tempos são outros…

As redes sociais eletrônicas ganharam o mundo pós-moderno e não é raro ver postagens onde pessoas se ‘alugam’ para o dia dos namorados, em contrapartida, há também quem diga não se importar com a data.

Mas qual a verdade intrínseca nesta comemoração?

Na Idade Média, os feitos do nobre Padre Valentino, que se arriscava a unir casais escondidos de seus familiares, além de contestar leis do estado que proibiam casamento em períodos de guerra, resultou no Valentine’s Day, comemorado 14 de fevereiro nos Estados Unidos. O dia de São Valentin foi provavelmente importado para nossa cultura pelo comércio paulista, que viu na data uma oportunidade lucrativa para os negócios. No Brasil, a data é comemorada em 12 de junho, antecedendo o dia de Santo Antônio.

Mas a verdade é que a data não passa de uma estratégia de marketing e as empresas faturam muito com isso. Nessa época, as lojas “barateiam” o preço das roupas, bolsas, sapatos. A indústria de cosméticos cria perfumes. As empresas de telefonia, promoções para atender casais. Restaurantes, motéis, floriculturas, estúdios de fotografias, gráficas, papelarias, sexy shop’s, perfumarias, canais de TV, bandas de música, também entram na dança. Chegam ao mercado novos chocolates, ursinhos, cartões. É um corre-corre.

Em nenhum outro momento do ano o amor romântico está tão em alta. Companhias aéreas e agências de turismo lançam ofertas especiais de viagens para casais. Novelas, jornais e outdoor’s, pais, irmãos, amigos, e avós tratam do tema. A caixa de e-mail é bombardeada com ofertas e promoções imperdíveis.

E se você não estiver namorando, meu caro, comece a se entristecer por não estar.

A inveja e a infelicidade corroem o ego de quem não tem alguém para trocar presentes. Espere, acalme-se. Nem tudo está perdido! Algumas boates fazem festas open bar para solteiros, a fim de unir casais. E se antes não tinha ninguém, agora você têm um leque de opções. Tudo ao alcance de um cartão de crédito. Afinal, nada melhor que conseguir um(a) namorado(a) no DIA DOS NAMORADOS!

E o circo está armado, sob uma lona cheia de palhaços. É o mesmo, bom e velho capitalismo, meus caros. Sob uma roupa nova, com perfume diferente, mas com o mesmo sorriso engenhoso das engrenagens que movimentam e superfaturam nossa produção.

Depois de despejar tanto fel, me pergunto: será que viveríamos bem sem o dia dos namorados?

Possivelmente sim, mas como não é nada fácil desmistificar o rito, celebrar é o melhor. Desçamos ao paraíso, juntemo-nos com os fanfarrões, bebamos, comamos e vivamos esse delírio visceral que é o amor, afinal, é um dia para se amar.

Hudson Eygo
Psicólogo, Coordenador do Serviço de Psicologia – SEPSI do CEULP/ULBRA, Coordenador da Área de Psicologia do Portal (En)Cena – A Saúde Mental em Movimento, e Colunista do Blog Psicoquê. E-mail: hudsoneygo@gmail.com
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