Mobilidade: Oficina Experiências e Técnicas de Inclusão na Educação

A primeira Semana Acadêmica de Psicologia do Ceulp/Ulbra foi um sucesso. Com uma programação repleta de palestras, mesas redondas, oficinas, comunicações orais e, é claro que não pode ficar de fora, deliciosos coffee breacks, foi uma experiência enriquecedora, em que se tornou possível maior contato dos acadêmicos com profissionais atuantes em psicologia, tal como bons momentos de partilha entre todos.

No presente, será retratado sobre a oficina 5, ocorrida no dia 22 de agosto de 2016, às 14h00min, na sala 407. Denominada como Experiências e Técnicas de Inclusão na Educação – Mobilidade foi ministrada pelas professoras Maria Dinalva T. Carneiro e Oneide Teixeira Rodrigues.

Maria hoje é portadora de deficiência visual e Oneide é sua vidente. A oficina inicia com Maria contando um pouco sobre sua história, relatando que nem sempre ela foi cega, mas possuía baixa visão. De forma divertida durante toda a oficina, ela conta que prefere cegueira a baixa visão, pois esta última parece carregar mais preconceitos de terceiros, talvez por ser pouco conhecida e por as pessoas pensarem que não é um obstáculo por que ainda enxerga em certa medida.

Também é relatado sobre a forma como se deve fornecer auxílio aos cegos. Primeiro, é explicado sobre os termos guia e vidente. Vidente é aquele que está ao lado do cego, lhe narrando sobre o ambiente e obstáculos, é o seu orientador. Já o guia, diferente do que é pensado normalmente, na verdade é o próprio cego, pois ele tem autonomia para dizer aonde e por onde quer ir. Maria diz que não é feio oferecer ajuda ao cego, mas feio é segurar seu braço e ir o empurrando sem perguntar nada, contando algumas experiências próprias desta situação.

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Fonte: http://fr.wikihow.com/aider-une-personne-aveugle

As narrações/adaptações feitas para cegos devem passar para eles somente o essencial, sem precisar se ater aos mínimos detalhes. Maria enfatiza várias vezes que não se deve fazer comparações entre deficientes e “normais” e entre os próprios deficientes, mas que somente o tratamento (locomoção, inclusão) deve ser igual. Também, não se deve tirar conclusões sobre deficientes a partir de suas deficiências, mas procurar suas qualidades e capacidades.

É realizada uma dinâmica interessante, em que são feitas duplas, sendo um integrante o cego (é colocada uma venda) e o outro o vidente. São colocados alguns obstáculos no chão e a dupla faz um passeio por eles, invertendo os papeis ao final desse passeio. Foi uma oficina incrível, em que vários ensinamentos foram absorvidos, inclusive o de lutar independentemete das dificuldades. Para finalizar, deixo a frase que o pai de Maria lhe disse quando ela queria vir para Palmas sozinha, para estudar e crescer: “Quem tem medo de cair, não cai, mas também não sobe”.

Psicóloga em formação no Centro Universitário Luterano de Palmas - CEULP/ULBRA e estagiária no Portal (En)Cena
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