Afinal, o que é “SER PAI?”

Já dizia Camões “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”……… Mas afinal, o que mudou?

Cresci ouvindo a expressão PAI É PAI…e pronto! . Talvez por isso a materialização do conceito de PAI seja tão abrangente e difícil de se pescar com a rede das palavras.

Talvez essa seja a razão do amor enigmático, forte e indecifrável que sinto por meu PAI.

Afinal, sou de um tempo em que os comportamentos diferenciavam-se um pouco da contemporaneidade. Pai era sinônimo de total respeito. Logo, sou do tempo de tomar bênção do pai na hora de acordar, na saída, na chegada e antes de dormir. Por incrível que pareça, quando ligo para meu pai, antes de tudo, peço a bênção. E, estamos em pleno século XXI!

Pai para mim era o chefe da casa. Ele sentava sempre à cabeceira da mesa e trabalhava fora para o sustento da nossa família. A última palavra era sempre a dele, embora minha mãe governasse junto, mas ela fizesse com que ele acreditasse que ele governava sozinho. E o interessante que nos entendíamos tão bem. Digamos que era uma espécie de regime político em que meu pai ordenava, com ajuda de minha mãe nas entrelinhas do poder,e esse status de chefe de família era consentido por todos.

Aprendi com meu pai que “Só se vence na vida pelo trabalho” e que “ O nome de um homem precisa refletir sua dignidade”. E como eu achava meu pai digno e admirável! Uma espécie de Deus da Sabedoria. Pois para mim, meu pai sempre soube todas as respostas. Embora eu nem sempre concordasse com elas.

Alguns, que porventura estejam lendo este texto, talvez não se identifiquem com essa descrição de pai. Infelizmente, nem todos convivem ou conviveram com um pai tão sério e ao mesmo tempo tão amável. Lembro que meu pai nos repreendia com um simples olhar. E quando levávamos bronca, recebíamos a mais cruel de todas as surras, porque as palavras proferidas doíam na nossa alma.

Contudo, esse mesmo pai tão austero tinha a capacidade lírica de nos contar histórias à noite. E como éramos oito filhos, ele contava histórias e depois observava nas camas e redes se todos já estávamos dormindo. Verdadeira educação com disciplina e amor.

Hoje quanta coisa mudou…….

Tomar bênção de pai, muitas vezes, se tornou memória de escritor saudosista.

Mas há mudanças que precisam ser compreendidas. Hoje, desmistifiquei a figura do pai-homem, sempre homem.

O tempo me ensinou que pai é todo aquele que trabalha, leva os filhos à escola, paga as contas, dá a primeira e nem sempre a última palavra, que conta histórias, aconselha, dá bronca. Mas , sobretudo, cuida dos filhos. Veio à minha mente um ditado popular “Pai é quem cria”

Entendo que ser pai não é uma regra, mas uma condição que não tem sexo, idade nem status definidos. Observem quantas MÃES que são PAIS.

Importante é constatar que os papéis podem mudar de personagem. Todavia, o conceito de PAI é insubstituível. Essa afirmativa é uma constatação.

Ser PAI é abstração concreta que se manifesta em todo aquele que aceitar a missão de vida de se tornar EXEMPLO DE AMOR E ADMIRAÇÃO. Modelo de personalidade, trabalho e caráter para seus filhos, que podem não ser biológicos, bastam ser do coração.

Então, independente do tempo e das vontades, SER PAI é SER PAI….e pronto!

Elienai Ferreira de Oliveira
Mestre em Letras, com ênfase em Linguística. Professora de Comunicação e Expressão do CEULP/ULBRA. Amante das Letras e da Literatura. Colaboradora do (En)Cena.
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