Dores da alma

Não é drama, nem vontade de chamar a atenção. Muito pelo contrário, é a vontade de tê-la naturalmente. Não é idiotice ou falta do que fazer. Às vezes é o muito que se tem pra fazer e a pressão sufocante matando devagar. Não é a necessidade de um fim rápido e súbito. Na verdade, é a dor em longo prazo que vem machucando tanto tempo que torna o desespero teu melhor amigo. Não é subitamente. É calculadamente. São anos, meses, dias, horas, minutos, segundos e milésimos de planejamento e medo; desistência e coragem; céu e inferno. São linhas finas e profundas dispostas em fileiras ou aleatórias que sangram e libertam o excesso de sentimento (ou a falta dele) e aliviam a angústia de ser quem é. É ser quem é que enlouquece. Não conseguir ser outro alguém, não conseguir mentir e enganar é considerado defeito. Sentir demais é um defeito. Não ser normal é um defeito. Mas o que é ser normal no fim das contas?

Divisora de opiniões, a depressão é uma doença sensível e mal compreendida que merece todo o espaço para discussão que tem conseguido. Mas, como tudo na vida, esse espaço conquistado, tem seus lados positivos e negativos. O autodiagnóstico, por exemplo, tem se tornado comum no público que segundo estudos tem maior tendência de desenvolver a doença. Adolescentes e mais adolescentes se diagnosticam com depressão apenas por lerem artigos na internet sobre o assunto e se acharem, no ato do diagnóstico, com um dos sintomas mais característicos da doença: a tristeza. A tristeza, estar triste, é um estado de espírito aceitável se em curto prazo. Se sentir cansado, pressionado, sufocado, indisposto durante algum período da vida é normal – super normal na verdade. Todo mundo cansa. Todo mundo em alguma fase vai olhar para o lado e pensar “Caramba! O que eu tô fazendo da minha vida?” e isso é totalmente aceitável. Mas, se esse pensamento permanecer por um período maior de tempo, é necessário cuidado e atenção.

O pensamento inicial do texto reflete o pensamento de alguém com depressão que desconta em si o peso de ser quem é. O peso de sentir muito ou não sentir absolutamente nada. A dor provocada por meio do autoflagelo é como se fosse um grito de quem precisa ser ouvido, mas não tem a menor vontade de chamar a atenção. Se ferir, para uma pessoa doente, é uma forma de se punir por não conseguir se encaixar no estereótipo que é exigido pela sociedade. Por não conseguir ser ninguém além dela mesma.

Longe dos autodiagnósticos, das curas milagrosas, do medo de exclusão, a depressão é uma doença que chega devagar e consome, te derruba, te dá um soco na cara e quando você consegue perceber, está nocauteado no chão. É preciso que se perca o medo e se livre dos pré-conceitos. A depressão não é uma doença sem cura. As curas existem sim, e aos montes por aí. Músicas, filmes, esportes, alimentação, meditação, pensamentos positivos são aliados. Uma doença da alma – como é classificada – vai estar com você o resto da vida, mas cabe a você saber como controlá-la e viver em harmonia com ela. Você não depende de ninguém. Só de você mesmo.

Estudante do Colégio Gonçalves Lêdo, Goiânia-GO.
Autor / Co-Autores: