Maternidade x Vida Profissional

Correria, objetivos a serem alcançados, estabilidade financeira e liberdade. Quem não tem isso em mente? Além de todos esses desafios, muitas mulheres acrescentam mais uma missão, ser mãe. Mas, em um mundo imediatista em que vivemos, o projeto de ter filhos está sendo adiado, pois as mulheres precisam estudar e dedicar as suas carreiras. Ser mãe dá trabalho, é a dura opção de escolha entre maternidade e trabalho profissional.

 O desejo de ser mãe é uma questão que circula pela cabeça de muitas mulheres, de ter e cuidar dos filhos, algumas desejam, mas sentem-se inseguras, acham que não estão preparadas, outras, ainda que desejem, não encontram espaço em suas vidas para ter um filho. Existem ainda aquelas que sempre sonharam com a maternidade e não podem.

*Carla Soares, estudante de Direito, soube que não podia ter filhos de forma inusitada. “Fiquei sabendo quando pensei que estava grávida, na verdade foi um grande susto, fui diagnosticada  com ovário policístico.”

A síndrome de (SOP) é uma doença resultantes do desequilíbrio nos hormônios sexuais femininos, que pode causar alterações no ciclo menstrual, alterações na pele, pequenos cistos nos ovários, dificuldade para engravidar e outros problemas. “Os cistos estão bem menores, só que se eu tentar engravidar hoje as chances são mínimas, pode acontecer, esperança eu tenho, logo não tenho pressa para ter filhos”, diz Carla, que já faz tratamento há um ano.

Ao contrário dos homens, que produzem espermatozóides durante toda a vida, a mulher já nasce com todos os óvulos prontos. Com o tempo, os óvulos e os próprios ovários envelhecem, por  isso, a taxa de fertilidade das mulheres cai após os 30 anos de idade. Estima-se que as chances de uma mulher engravidar até os 30 anos sejam de 20 a 30% por relação sexual, ou seja, de 100 mulheres menos de 30 delas conseguirão a fecundação. A gravidez tardia tem riscos altos como aborto, hipertensão, diabetes, parto prematuro e riscos do feto ter síndrome de down.

Glaucia  Santos, funcionária pública, tem 29 anos e está no sexto  mês da gravidez. Recentemente foi diagnosticada com diabetes insulino-dependente . “Tenho que manter o nível de açúcar no meu corpo bastante controlado por conta do bebê, a imunidade em quem é diabético é bastante debilitada, portanto na gravidez devido as alterações hormonais serem gigantescas, o cuidado é redobrado”, confirma.

Diabetes tipo 1 ou IDDM (diabetes mellitus insulino-dependente) é uma doença crônica do pâncreas onde são destruídas as células produtoras de insulina. Todas as células do corpo necessitam de insulina para a glicose entrar nas células, especialmente no fígado. Se a quantidade de insulina produzida pelo pâncreas é insuficiente, a glicose se acumula no sangue.
“Sempre quis ser mãe, estava nos meus planos, Deus me deu na hora certa”, diz a futura mamãe Glaucia, orgulhosa da chegada de Alicia. “Por ela vale a pena o risco, a sensação de gerar uma vida é maravilhosa, quem puder ter filhos que tenha”, aconselha.

Um filho traz muita alegria, mas também traz despesas, preocupações, escola, educação, caráter, escolhas erradas. Algumas pessoas optam em substituir a ausência de um filho por animais, viagens e compras, e ainda acham que se gasta menos com essas coisas, outras trocam a vida profissional pela maternidade.

Débora  Andrade teve que abrir mão da vida profissional para cuidar dos dois filhos .  “Acho que ainda tenho tempo pra isso,  pode não ser como imaginava ou como queria, que era ter sucesso e reconhecimento na minha área, mas vejo que posso alcançar isso de  outra forma”. De acordo Débora, a maternidade mudou seu modo de pensar.  “Ser mãe é maravilhoso, todo o processo da barriga durante os nove meses é uma sensação inexplicável, desde o nascimento ao ouvir seu filho falar mamãe, é algo mágico. Quando se tem filhos parece que a vida ganha mais um sentido, aliás, o único sentido”.

 

Débora Andrade com os filhos – Foto: Arquivo pessoal

 

É provável que quem escolhe não ter filhos pode passar por momentos de olhar para trás e imaginar como seria se tivesse tido. Algumas podem ter tomado esta decisão devido a fatores como carreira, questão financeira ou talvez o peso da responsabilidade de uma forma geral.  “Para aquelas que não querem ter filhos é uma opção, não que eu ache errado, sei que algumas mulheres dão valor a outras coisas e preferem conquistar uma carreira brilhante ou ter uma vida tranquila a cuidar de crianças, o que exige responsabilidade e dedicação”, finaliza Débora.

Hudson Eygo
Psicólogo, Coordenador do Serviço de Psicologia – SEPSI do CEULP/ULBRA, Coordenador da Área de Psicologia do Portal (En)Cena – A Saúde Mental em Movimento, e Colunista do Blog Psicoquê. E-mail: hudsoneygo@gmail.com
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