Morre mais um jovem Karajá!

Foto: Juanahu Iny

 

A jovem Narubia Werreria é brasileira, índia e representante da nação Iny (Karajá e Javaé), em um manifesto que circula na internet desde o dia 04 de fevereiro de 2014.

Seu objetivo é abrir os olhos da Presidenta Dilma Rousseff, e consequentemente do país, para o alto índice de suicídios que vem acontecendo entre o povo Iny (Karajá e Javaé).

Segundo Narubia, a Fundação Nacional do Índio (Funai), órgão responsável pela assistência e garantia de acesso a serviço e direitos do índio no Brasil desde sua fundação em 1967 pela lei nº 5.371, e a Secretaria Especial de Saúde Indígena  (SESAI)  têm fechado os olhos para essa realidade e, em outros tempos, quando o caso chegou a ser noticiado pelas mídias televisivas, o órgão fez um prévio diagnostico e interviu com medidas paliativas, que, de longe, correspondiam à real necessidade daquele povo.

Em meio a seu manifesto, a jovem Narúbia Werreria que é acadêmica de direito da Universidade Federal do Tocantins (UFT) relata que “pensar sobre o suicídio que vem acontecendo em meio ao nosso povo me deixa paralisada, falar e não encontrar as lágrimas no rosto parece impossível. Não sei se saberei descrever nossa dor, nem o quanto esses últimos anos estão sendo aterradores para nós. Queria manchar essa tela de sangue, talvez o nosso sangue clame mais por socorro que minhas palavras!”.

Seria uma epidemia na Ilha? – Se é que o termo pode ser empregado nessa situação – Não se sabe, mas o número já chega a 3 óbitos e 1 tentativa de suicídio só em 2014, numa população de aproximadamente 6 mil indígenas em toda a Ilha do Bananal. Narubia reforça que “os órgãos competentes nada fizeram de REAL E EFICAZ para sarar nosso povo, estamos cansados de reunião que não produz, cansados de gastar tanto sol, sem nada iluminar.”

A situação de desassistência e luta por igualdade e asseguração de direito dos indígenas no país não é nova. Em Outubro de 2013 a Organização não Governamental (ONG) Survival International de São Paulo (referência nacional na defesa pelos direitos dos indígenas) denunciou as altas taxas de suicídio entre índios Guaranis. Segundo a entidade, os Índios têm se sentindo inferiorizados ao tentar recuperar uma pequena parte de seus territórios originais, mas frequentemente, enfrentam a resistência violenta dos grandes proprietários de terras e dos interesses do governo que preza o desenvolvimento financeiro dos pais a qualquer custo.

 “Nós não temos mais segurança. O alcoolismo, drogas e prostituição invadiram nossas aldeias. O atendimento básico a saúde e educação são precárias. A assistência em saúde mental não consegue cuidar dos atuais transtornos de nossos jovens e nós não sabemos lidar com esses problemas que vieram com a sociedade não nativa (não indígena).” Em suas palavras Narubia, coloca os prejuízos desse choque cultural resultante do contato entre seu povo e o “não indígena”.

Em seu texto, encerra o manifesto clamando por igualdade, ao dizer que “queremos viver. Não queremos apenas resistir, queremos existir com dignidade”. Ela deixa expresso o desejo e vontade de um povo que nada mais quer que respeito, dignidade e asseguração de todos os seus direitos.

A carta aberta deixa claro o caráter de extrema urgência do povo Iny (Karajá e Javaé) em obter uma solução para o seu problema, que abrange desde questões de assistência básica em saúde (já que toda vez que um índio adoece precisa se deslocar para o município mais próximo por não ter assistência médica), como profissionais capacitados, atuando na promoção de saúde indígena. Hoje, a região da Ilha do Bananal conta com o apoio de uma equipe multiprofissional que atual no controle epidemiológico, medida essencial para a promoção de saúde desse povo, mas não são disponibilizados profissionais que atuem no tratamento e assistência dessas aldeias in loco, e sempre que necessário, o índio precisa se deslocar de sua tribo para ir à cidade mais próxima, o que claramente aumenta os gastos e a morosidade no tratamento do índio.

Diante dessa gama de questões, a contribuição de cada um ao assinar e apoiar uma petição publica pode fazer toda a diferença na vida desses jovens indígenas. O que para você pode não ser nada além de alguns cliques, para esse povo pode ser a garantia de uma vida.

Assine a petição

Hudson Eygo
Psicólogo, Coordenador do Serviço de Psicologia – SEPSI do CEULP/ULBRA, Coordenador da Área de Psicologia do Portal (En)Cena – A Saúde Mental em Movimento, e Colunista do Blog Psicoquê. E-mail: hudsoneygo@gmail.com