Terapia Comunitária Integrativa como prevenção ao adoecimento

A oficina sobre Terapias Comunitárias foi bastante prestigiada

A Terapia Comunitária Integrativa (TCI) faz parte das Práticas Integrativas de Saúde (PIS), reconhecida como importante ferramenta no enfretamento e prevenção do adoecimento das pessoas, uma vez que estimula o estabelecimento de laços sociais por meio da fala, apoio emocional, troca de experiências e prevenção de patologias de ordem mental. A TCI também pode ser encarada como uma fomentadora de cidadania e de redes de solidariedade. No Brasil, vem sendo estimulada, sobretudo, nas comunidades socialmente vulneráveis.

Presente na IV Mostra Nacional de Experiências em Atenção Básica/Saúde da Família, o psicólogo e coordenador de Terapia Comunitária Integrativa do Distrito Federal, Alexandre Staerke (que tem já atuou por 4 anos em CAPS – Centro de Atenção Psicossocial), diz que a Terapia Comunitária é uma técnica genuinamente brasileira. “Nascida no Ceará, a TCI propicia as pessoas, pela sua técnica, a possibilidade de elas se sentirem ouvidas, de elas se sentirem acolhidas”, diz o coordenador, que acredita que esta seja uma das maiores riquezas da Terapia.

O psicólogo Alexandre Staerke é o coordenador da Terapia Comunitária Integrativa no DF

Staerke comenta que atualmente se vive um momento histórico em que as pessoas estão se fechando em seu próprio sofrimento, “e elas sentem dificuldade em compartilhar o que elas sentem”, diz. O psicólogo argumenta que quando as pessoas conseguem entrar num grupo bem conduzido, se sentem confortáveis para dizer o que têm, “sem pudores e sem uma sensação de inadequação; isso tem um efeito direito para a produção da autoestima”, arremata.

Neste aspecto, com as técnicas de TCI, as pessoas não apenas saem com uma autoestima mais trabalhada, como “com uma sensação de pertencimento na comunidade”, pontua Alexandre Staerke, para emendar que atualmente “nunca se teve tanto transtorno de ansiedade e depressão”. “Na minha opinião, a depressão está ligada a processos de solidão, de ansiedade e de medo”, avalia Staerke, ao alertar que o “outro”, em vez de ser alguém que “faz me sentir bem no mundo, é aquele ao qual eu tenho que temer, porque vai me usar, me ferir, me machucar”. No entanto, a Terapia Comunitária enquanto técnica propicia a possibilidade de criação de laços sociais, e na medida que se constrói os laços sociais, se produz uma sensação de fortalecimento tanto da individualidade quanto do grupo. “E aí, quando pensamos sobre isso do ponto de vista institucionalizado, temos a Terapia Comunitária Integrativa como um serviço que deixa de ser eminentemente voluntário, que é a origem dele, para ser um serviço oferecido pelo Estado”, comenta.

Alexandre Staerke diz que no Distrito Federal, especificamente, a TCI está sendo inserida em dois tipos de serviços: na Atenção Básica e nos serviços de Saúde Mental (CAPS Transtorno Mental e CAPS Álcool e Drogas). A ideia, segundo Staerke, é que se consiga, por meio destas inserções, introduzir novos instrumentos, novas possibilidades de produção de saúde.

O que são Práticas Integrativas em Saúde

As Práticas Integrativas em Saúde são técnicas que fazem parte da saúde primária (Atenção Básica).  Elas servem como instrumentos ou tecnologias de promoção de saúde e de redução do adoecimento. “Até onde temos informação, de todos os estados do país, a unidade com maior número de práticas é o Distrito Federal. Nós temos 14 práticas atualmente”, finaliza Alexandre Staerke.

Fotos: Paulo André Borges

*colaboração: Isadora Santana Fernandes

Sonielson Luciano de Sousa
Bacharel em Comunicação Social (CEULP/ULBRA), filósofo (Univ. Católica de Brasília), pós-graduado em Docência Universitária, Comunicação e Novas Tecnologias (Unitins), estudante de Psicologia (CEULP/ULBRA), especialista em Jornalismo Cultural, é editor do jornal e site O GIRASSOL, colaborador do (En)Cena e do Portal Educação, e atua como coach (SBC-SP).