Carl Gustav Jung e os Tipos Psicológicos

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 Em 1921, Carl Jung escreveu a obra Tipos Psicológicos e trouxe para a humanidade termos usados até hoje.

É comum definirmos pessoas como extrovertidas e introvertidas, pois todos nós conhecemos pessoas fechadas, ariscas, difíceis de conhecer (introvertidos) e pessoas abertas, sociais, joviais e que sempre estão se relacionando (extrovertidos).

Conforme Carl Jung (1991), extroversão e introversão mostram tipos gerais de atitudes, e elas se distinguem pela direção de interesse e movimento da libido, ou seja, da energia psíquica. Em outras palavras, a atitude da consciência será determinada pela direção de interesse em relação ao objeto. Por objeto, entendemos tudo aquilo que não é o sujeito e que não se liga a pessoa e seu mundo interior, seus desejos e seus medos, incluindo pessoas e estímulos externos.

Os introvertidos são aqueles que hesitam, recuam e enxergam o contato com o objeto com receio e como se fosse algo pesado, massacrante. O mundo externo os desgasta e isso faz com que ajam de forma a atribuir ao objeto um superpoder.

Já os extrovertidos partem rápido e de forma confiante ao encontro do objeto. Aparentemente o objeto tem para ele uma importância enorme, mas no fundo o objeto não tem tanto valor assim e por isso é necessário aumentar a sua importância.

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Retirado de: oglobo.globo.com

Resumindo, conforme Silveira (1981) na extroversão a libido fui sem embaraços ao encontro do objeto. Na introversão a libido recua diante do objeto, pois este parece ter sempre em si algo de ameaçador que afeta intensamente o individuo.

Jung tentou, com isso, ilustrar como a consciência se mostrava na prática e como atuava de forma diferente nas pessoas. Não é possível manter as duas atitudes, elas são excludentes. No entanto, é positivo e saudável fazer o uso das duas atitudes.

Nessa obra Jung também definiu as funções psíquicas da consciência: sensação, pensamento, sentimento e intuição. Por função psíquica, entende-se a atividade da psique que apresenta uma consistência interna e que estabelece habilidades, aptidões e tendências no relacionamento do indivíduo com o mundo e consigo mesmo.

Essas quatro funções são classificadas em dois grupos: Irracionais e Racionais.

As irracionais são: Sensação e Intuição. E as racionais: pensamento e sentimento.

A função Sensação privilegia os órgãos dos sentidos; é a função da percepção da realidade. Ela nos diz que algo existe.

Todos nós possuímos essa função, pois todos nós possuímos os 5 sentidos. No entanto, existem pessoas que são guiados de forma mais marcante pela sensação. Essas pessoas são voltadas para o aqui e agora. São práticas e realistas – “Pé no chão”. Mas não utilizam muito a imaginação.

A Intuição percebe as coisas ao redor mediante processos inconscientes e conteúdos subliminares. Pessoas intuitivas, vão além dos fatos, sentimentos e idéias para encontrar a essência da realidade.

Representa o palpite, pressentimento e inspiração. Com ela vemos o todo e não só as partes.

O Pensamento esclarece o que são as coisas. Ela auxilia a julgar, classificar e discriminar uma coisa da outra sem interesse pelo seu valor afetivo.

Pessoas fortemente guiadas pelo pensamento são lógicas, impessoais, intelectuais e objetivos. Lidam melhor com tarefas lógicas e formais. Chamados de reflexivos, são grandes planejadores.

O Sentimento esclarece o valor das coisas. Também há julgamento, mas com outra lógica: a do coração. É importante não confundir sentimento com emoção. Essa função nos dá a noção das experiências subjetivas: prazer, dor, raiva, medo, etc.

Pessoas sentimentais, utilizam seus valores pessoais e os dos outros, para tomarem decisões, mesmo não tendo lógica. Levam em conta o que sentem por alguém ou situação. Tem facilidade no contato social e preocupam-se com a harmonia do ambiente.

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Retirado de: www.fasdapsicanalise.com.br

As quatro funções proporcionam a pessoa certa totalidade, dando condições ao ser humano de se posicionar no mundo de forma segura. Além de capacitar o ser humano a se orientar de todas as formas.

Todos nós possuímos as quatro funções, contudo elas não são desenvolvidas da mesma forma. Uma, ou duas, delas acabam se desenvolvendo de forma mais plena em detrimento das outras.

A meta do desenvolvimento humano, com o processo de individuação, seria então a integração de todas as funções, ou seja, um processo de reunir o que está dividido. Bem como do desenvolvimento da introversão e extroversão de forma a chegar a uma harmonia entre essas duas atitudes.

Conhecer o seu tipo psicológico, então, é importante, para que se conheça aquilo que não está desenvolvido e que termina por se tornar mal desenvolvido, atrapalhando a vida cotidiana e os relacionamentos.

Referências:

JUNG, C. G. Tipos Psicológicos 8. ed. Petrópolis: Vozes, 1991.

SILVEIRA, N. Jung: Vida e Obra. 7 ed. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 1981.

Hellen Reis Mourão
Psicanalista Clínica com pós-graduação em Psicologia Analítica pela FACIS-RIBEHE, São Paulo. Especialista em Mitologia e Contos de Fada. Colaboradora do (En)Cena.
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