21 apontamentos sobre suicídio

O suicídio vem sendo amplamente discutido nos últimos dias, dada a divulgação do jogo “Baleia Azul” e a polêmica série “Os 13 Porquês” (13 Reasons Why) produzida pela Netflix. Para entender melhor o assunto, postamos uma série de 21 apontamentos da ONU abordados no livro do jornalista André Trigueiro “Viver é a melhor opção: prevenção do suicídio no Brasil e no mundo”.

Fonte: https://goo.gl/Z3mOAw

1 – Os homens são quatro vezes mais vulneráveis ao suicídio e, efetivamente, esta é a proporção de homens suicidas em relação a mulheres (elas conseguem alertar com mais sucesso e, assim, se submetem a ajuda e intervenção);

2 – O Japão, ao contrário do que pensa o senso comum, não é o país onde existe o maior número de suicídios. Os países do Leste Europeu e alguns da Ásia, ocupam esta posição;

3 – Quando um país entra em recessão, como no caso atual do Brasil, aumenta em três vezes o número de suicídios;

4 – Nos Estados Unidos há um esforço generalizado para evitar acesso a conteúdos sobre detalhes do ato suicida. Um exemplo é o adotado pelos sites de busca. Lá, ao se digitar no Google ou Yahoo, por exemplo, a palavra “suicídio”, o usuário se depara com páginas de centros e associações de ajuda neste tema;

5 – 28 países do mundo, dentre eles o Brasil, já vem adotando estratégias de prevenção, tendo em vista que o suicídio vem crescendo de forma exponencial nos últimos 200 anos;

6 – O Ministério da Saúde do Brasil, em observação aos preceitos da ONU, lançou um manual de capacitação dos profissionais de saúde e de imprensa para ajudar na prevenção do suicídio, com técnicas testadas em vários países;

7 – Só em 2012, quase 1 milhão de pessoas se suicidou ao redor do mundo, e este número vem aumentando;

Fonte: http://zip.net/bktHHg

8 – Não se pode abordar o suicídio de forma isolada. Antes, é preciso relacionar variantes como: questões pessoais/psicológicas, sociais, culturais, ambientais e biológicas;

9 – O suicídio lidera o ranking global de mortes violentas, representando 50% de todos os óbitos desta categoria;

10 – Não são os jovens que cometem mais suicídio, e sim os idosos acima de 70 anos;

11 – A maior prevalência de suicidas não está em países ricos, e sim em nações de economias instáveis;

12 – A tentativa fracassada de suicídio é a sexta causa global de incapacitação entre indivíduos de 15 a 44 anos;

13 – No Brasil, entre 2002 e 2012 a região Norte teve o maior aumento de suicídios (subiu 77,7% no período);

14 – A taxa de crescimento do suicídio no Brasil é maior que a taxa de crescimento da população;

15 – Entre os jovens do Brasil, a maior taxa de suicídio ocorre nas populações indígenas (estes grupos representam 20% do total desta variante);

Fonte: https://goo.gl/UVox8c

16 – Organizações de prevenção ao suicídio acreditam que as taxas de suicídio são ainda mais elevadas, tendo em vista que em muitos casos a classificação e catalogação das mortes sofrem alterações;

17 – Sob o ponto de vista psicológico, o transtorno de humor (35,8%), transtornos decorrentes do uso de substâncias (22,4%) e transtornos de personalidade (11,6%) estão por trás da tendência suicida;

18 – Não se pode censurar as artes (cinema, séries, etc) ou o jornalismo sobre o assunto. Mas é preciso cautela ao abordá-lo, para evitar o Efeito Werther. Estudos recentes indicam que aumenta em 12% a quantidade de suicídios quando um vulnerável emocional tem contato com conteúdos do gênero;

19 – No Ocidente a mídia pouco evidencia o suicídio, deixando esta temática a cargo dos profissionais de saúde e organizações da área. Os suicidologistas acreditam que esta não é a melhor estratégia, de acordo com entrevistas com os principais especialistas ao redor do mundo. O ideal é abordar o problema de forma aberta, mas com narrativa apropriada e cuidadosa, para evitar a romantização do tema;

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem identificado a cobertura da mídia sobre suicídio como uma área estratégica para ajudar a prevenir tal ato. Foto: Jared Keener (CC)

20 – De forma geral, a ONU aconselha os profissionais da imprensa e a mídia como um todo a evitar abordar o suicídio de maneira maniqueísta ou simplista. O ideal é sempre pautar a informação com as vozes de especialistas da área e, em todos os casos, evitar a glorificação ou glamourização de quem comete suicídio. Desta forma, é importante dar ênfase tanto aos comportamentos positivos quanto aos negativos do suicida (calibragem da informação);

21 – Sempre que for tratar do tema suicídio é importante apresentar contrapontos, ou os chamados “modelos positivos”. Ao mesmo tempo que se fala do problema, é imprescindível apresentar exemplos de superação.

REFERÊNCIAS: 
TRIGUEIRO, André. Viver é a melhor opção: prevenção do suicídio no Brasil e no mundo – 2a edição. São Bernardo do Campo: Correio Fraterno, 2015.

Risia Lima
Estudante de Psicologia (Ceulp/Ulbra), namorando a psicanálise | Bacharel em Comunicação Social (UFT) | MBA em Gestão da Comunicação nas Organizações (Univ. Católica de Brasília)
Autor / Co-Autores: e