Família e afetividade: a configuração de uma práxis ético-política

Em “Família e afetividade: a configuração de uma práxis ético-política, perigos e oportunidades”, o autor Bader B. Sawaia, aponta a importância e também os perigos da adoção da família e da afetividade como estratégia de ação emancipadora, que permite enfrentar e resistir à profunda desigualdade social modelada pelo neoliberalismo, e o conjunto de valores individualistas. Segundo Sawaia, a afetividade é a força mantenedora da família, e que apesar de diversas tentativas e previsões sobre seu desaparecimento, ela continua sendo a mediação entre o indivíduo e a sociedade, assistindo-se na atualidade ao enaltecimento dessa instituição. A família é o único grupo que promove a sobrevivência biológica e humana.

É uma instituição baseada em conservação e, ao mesmo tempo, em expansão e sua eficácia depende da sensibilidade e da qualidade dos vínculos afetivos. Por esse motivo, Sawaia diz que essas características podem se tornar perigosas ao fazer da família um instrumento de sustentação do poder, concentrando a política na ordem emocional, que domina o corpo inteiro, ao associar amor com submissão, ao confundir intimidade com democracia e liberdade, e por último, o risco de idealizar e estereotipar a vida em família.

Fonte: http://zip.net/bttJPx

Nesse sentido, a preocupação está em formar políticas que trabalhem o valor afetivo da família, evitando os problemas causados pela tentativa de transformá-la em um instrumento de sustentação de poder. Pretende-se ainda construir o desejo de se estar em família , e construir a liberdade e a felicidade de se estar em conjunto. Assim, são apontadas algumas medidas para que seja alcançada uma práxis ético-política que evite os perigos de se trabalhar a afetividade na família. Entre elas estão: eleger o valor afetivo na ação social com famílias pobres, potencializar as pessoas para combater o que causa o sofrimento, analisar a afetividade que une a família, negar a política de afetividade dominante, etc.

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Portanto, essa práxis ético-política atua no sentido de combater o exercício da dominação e da pobreza, atuando diretamente no cerne afetivo e nas emoções da família. Tal ação se faz importante  no que tange a um atendimento mais assistido e atencioso para com a instituição familiar, acabando ou pelo menos diminuindo a criminalidade nesta, de modo a torná-la um lugar seguro e agradável para a formação do ser humano.

REFERÊNCIAS:

SAWAIA, B. B. Família e afetividade: a configuração de uma práxis ético-política, perigos e oportunidades. PUC-SP, 2005. p. 39 a 50.

Psicóloga em formação no Centro Universitário Luterano de Palmas - CEULP/ULBRA e estagiária no Portal (En)Cena
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