Arthur Schopenhauer – O mundo como expressão da vontade e como representação

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O filósofo alemão Arthur Schopenhauer, nasceu em 22 de fevereiro de 1788, em Dantzig, e faleceu em 1860 em Frankfurt. Iniciou seus estudos na Universidade de Gottingen, cursando Medicina. Logo após, mudou-se para o curso de Filosofia, área na qual os estudos lhe despertaram interesse, aprofundando seus postulados em Platão, Kant e na filosofia hindu. Valorizou a noção de corpo, o que marcou a história da filosofia no ocidente, diferenciando-se das outras visões que presavam o aspecto racional do homem. Schopenhauer desenvolveu sua metodologia filosófica, a partir da ideia de que o mundo consiste em vontade e representação.

Como todo grande pensador, Schopenhauer sofreu influência de filósofos anteriores, do mesmo modo que inspirou ideias de pensadores como Nietzsche, que o apelidou de “Cavaleiro Solitário”, pois, além de contrário aos pensamentos dominantes da época, também fazia parte da corrente pessimista da filosofia. Horkheimer, Sartre e Freud, criador da teoria psicanalítica, também foram fortemente influenciados por suas ideias revolucionárias. Todavia, contrariando ideias de seu próprio tempo, como as de Hegel, o qual era considerado otimista.

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A filosofia, enquanto método se divide em várias abordagens. Entretanto, a discussão será apenas na primeira delas, que é o idealismo, ao qual influenciou de maneira significativa os estudos de Kant, Schopenhauer, Hegel, dentre outros. Este método consiste em sua gênese, na utilização de um sistema de ideias como sendo fundamental à realidade, uma maneira de interpretar o mundo. As ideias então são o princípio do ser e do conhecer a realidade. Portanto, esta abordagem se opõe ao realismo, em razão desta pregar que o ceticismo é a melhor maneira de encarar a realidade.

Chauí (2000), afirma que o realismo nada mais é que a posição filosófica que afirma a existência objetiva ou em si da realidade externa como uma realidade racional em si e por si mesma e, portanto, que afirma a existência da razão objetiva. Já o idealismo, é definido da seguinte forma:

Há filósofos, porém, que estabelecem uma diferença entre a realidade e o conhecimento racional que dela temos. Dizem eles que, embora a realidade externa exista em si e por si mesma, só podemos conhecê-la tal como nossas idéias a formulam e a organizam e não tal como ela seria em si mesma. Não podemos saber nem dizer se a realidade exterior é racional em si, pois só podemos saber e dizer que ela é racional para nós, isto é, por meio de nossas idéias. Essa posição filosófica é conhecida com o nome de idealismo e afirma apenas a existência da razão subjetiva (CHAUÍ, 2000).

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Neste artigo serão descritos os principais pensadores que influenciaram Schopenhauer, os postulados que originaram a sua obra e as críticas feitas por ele a outros pensadores, bem como as que ele sofreu por seu contemporâneo Friedrich Hegel.

Pensadores que influenciaram as ideias de Schopenhauer

Empédocles de Agrigento (484 – 421 a.C.), foi um ilustre pensador nascido na Sicília, sul da Itália, que na época formava a magna Grécia. Dotado de inúmeras qualificações, foi médico, dramaturgo, político, poeta e filósofo.

Segundo Valadares (2014), Empédocles assume, como elementos constitutivos do mundo, as quatro substâncias que cosmologias anteriores distinguiam – chama-lhes o úmido, o quente, o frio e o seco, isto é, a água (de Tales), o fogo (de Heráclito), o ar (de Anaxímenes) e a terra. Ele reconhece existência apenas a esses quatro elementos, e afirma que a pluralidade das formas existentes é derivada das infinitas combinações que se fazem e desfazem sucessivamente entre eles no processo de produção do mundo. A amizade ou o amor é a força cósmica que une os elementos e o ódio ou a discórdia causam a desunião e a consequente separação dos mesmos.

A alternância desses sentimentos seria então controlada pelo destino, o divino, que para Empédocles chamava-se Esfero, o deus que seria a completude de tudo, contrário seria o caos desenvolvido pelo ódio e a discórdia. Empédocles foi o primeiro a teorizar sobre o desenvolvimento das espécies, tendo em vista que a evolução ocorreria a partir da sobrevivência do mais capacitado.

John Locke, filósofo, nascido em uma pequena aldeia inglesa chamada Wrington, aos 29 de agosto de 1632, faleceu em Oates no dia 28 de outubro de 1704. Ideólogo precursor do liberalismo, Locke, dedicou sua vida a contestar a doutrina do direito divino dos reis e do absolutismo real. Desenvolveu interesses voltados para política, desde cedo, mas decidiu formar-se em medicina, e licenciou-se em 1674. A partir de vínculos criados posteriormente, se envolveu finalmente no meio político, sobre o qual construiu seu pensamento.

Influenciado por Thomas Hobbes, René Descartes, Aristóteles, Platão e outros pensadores, seu embasamento filosófico era voltado para que, todo o conhecimento do ser humano seria obtido a partir da sua percepção sensorial ao longo da vida.

Concordando com Aristóteles, o ser humano nasce como uma folha em branco e vai crescendo e absorvendo conhecimento, dando alusão ao conceito da “tábula rasa”. Assim, John Locke também estrutura a sua tese epistemológica, o Empirismo, no qual não existem ideias inatas e todo conhecimento se baseia em dados da experiência empírica.

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Locke defendia o pensamento de que os indivíduos deveriam ter conhecimento de seus direitos e deveres, buscando assim sua autonomia. No livro “Ensaio sobre o entendimento humano”, registra a seguinte passagem:

A necessidade em que nos encontramos de acreditar sem conhecimento e, muitas vezes, até sobre fracos fundamentos, no estado passageiro da ação e da cegueira em que vivemos sobre a terra, esta necessidade, digo eu, deveria tornar-nos mais cuidadosos em nos instruirmos a nós mesmos do que em obrigar os outros a aceitar as nossas opiniões. (parte IV, cap. 16, §4)

Seu pensamento sobre a intolerância religiosa e a soberania de determinada religião, se fez visto e serviu como base para pensadores contemporâneos. No livro, “Carta sobre a tolerância”, ele discorre sobre sua opinião a partir deste aspecto:

[…] nenhum indivíduo deve atacar ou prejudicar de qualquer maneira a outrem nos seus bens civis porque professa outra religião ou forma de culto. Todos os direitos que lhe pertencem como indivíduo, ou como cidadão, são invioláveis e devem ser-lhe preservados. Estas não são as funções da religião (LOCKE, 2014).

Immanuel Kant foi um filósofo prussiano do século XVIII, nascido em 22 de abril de 1724 e faleceu em 12 de fevereiro de 1804, viveu e morreu em Königsberg, na Alemanha. Teve suas influências a partir de René Descartes, Aristóteles, David Hume, Platão e outros pensadores. Representou o momento mais significativo da filosofia na idade moderna e ainda influencia os pensadores contemporâneos.

Conhecida como criticismo, a filosofia de Kant, ilustra um posicionamento mais radical ao pensamento metafísico. Na idade antiga e na média, prevalecia o modo metafísico de pensar. Segundo Martins (2010), o termo “Metafísica”, para Kant significa um conhecimento não empírico ou racional.

Martins (2010) também afirma que o conceito de costumes designa o conjunto de leis e regras de conduta que normatizam a ação humana. O conceito final de Metafísica para Kant consiste no estudo de leis que regulam a conduta humana sob um ponto de vista essencialmente racional e não contaminado pela empiria. Expõe que o que distingue o ser humano dos outros animais é a razão.

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Kant desenvolve a sua teoria para explicar o desenvolvimento do conhecimento e o modo peculiar de construção do mesmo em comparação a pensadores anteriores a ele. Suas principais obras são: “A Crítica da Razão Pura Teórica” (1781), “Crítica da Razão Pura Prática” (1788), “Crítica do Juízo” (1790).

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Filósofo alemão, Hegel é considerado um dos mais influentes da história. Nascido aos 27 de agosto de 1770, em Estugarda, Alemanha. Morreu aos 14 de novembro 1831, em Berlim, na Alemanha. Suas principais influências são: Martin Heidegger, Arthur Schopenhauer e outros. Considerado como um dos pais do sistema filosófico conhecido como Idealismo Absoluto, Hegel foi o precursor da filosofia continental e do Marxismo. Para Hegel o princício fundamental da filosofia é a universalidade:

O universal é, pois, somente forma, e contrapõe-se lhe o particular, o conteúdo. […] O primeiro é o universal como tal; este é o abstrato, é o pensamento, mas enquanto puro pensamento é abstração. “Ser” (Sein) ou “essência” (Wesen),7 “o uno”, etc., são alguns desses pensamentos de todo abstratos. (Hegel, 2005b, p. 73)

A tese deste pensador foi fundamental para o desenvolvimento de diferentes áreas do saber, como a filosofia, psicologia, politica, arte e religião. Hegel viveu na Alemanha dividida em territórios independentes, cada qual, com um conjunto de regras e leis próprias. Isto teve forte relevância para Hegel que, então atribuiu ao Estado um papel tão importante, a mais alta realização do espírito absoluto.

Seu pensamento se baseia na visão de que as contradições e dialéticas são resolvidas para a criação de um modelo, que tanto pode refletir-se no espírito – no sentido de alma e aspirações ideais, como no Estado político. Sua maior obra foi “Fenomenologia do Espírito” (1807). Este filósofo era contrário às ideias de Schopenhauer, no tocante à apreensão da realidade apenas por meio da dialética, consistindo este método em três momentos distintos: a tese, ou seja, a ideia, dando origem à antítese, que compõe argumentos contrários à tese, surgindo assim, em último, a superação das mesmas pela síntese.

Individuação e Razão

Schopenhauer sofreu forte influência da filosofia kantiana que possibilitou a formulação de seu pensamento a respeito desta. Ele acreditava que a filosofia é teórica, podendo apenas compreender e interpretar aquilo que é, fornecendo o conhecimento preciso do mundo para a razão, se utilizando de interpretações concretas para abranger os sentimentos e a objetividade.

O mundo com suas características e diversidades só existe para determinado sujeito a partir do que ele consegue perceber, ou seja, o que existe é somente aquilo que é percebido. Conforme Redyson (2008, p. 255), há dois princípios que compõe e protegem o mundo e sua ordem: o princípio de individuação e o de razão suficiente. Schopenhauer entende princípio de individuação como o espaço e o tempo, que individuam, multiplicam e fazem suceder os fenômenos; princípio de razão ou de causalidade compreende o fato de todo fenômeno aparecer no espaço-temporal como explicável, com o efeito de certas causas que dão a razão de ser de um fenômeno, de ele se manifestar de um modo e não de outro.

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O mundo como representação é o fenômeno, superficialidade do ser, mundo das ilusões, consistindo no representar, estando sob a dependência do sujeito. Segundo Schopenhauer:

contra a ilusão do nosso nada, contra esta mentira impossível, eleva-se em nós a consciência imediata que nos revela que todos esses mundos existem apenas na nossa representação; eles são apenas modificações do sujeito eterno do puro conhecimento; são apenas aquilo que sentimos em nós, desde que esquecemos a individualidade; em resumo, é em nós que reside o que constitui o suporte necessário e indispensável de todos os mundos e de todos os tempos. (SCHOPENHAUER, 2001)

Dessa forma os objetos só existem a partir de outro, tendo em vista que sujeito e objeto mantém uma relação indissociável. Sendo assim, se o sujeito tornar-se inexistente, também o objeto se extinguirá. Em toda sua essência o mundo é constituído de vontade, e é esta que dá todo o movimento e o sentido da existência. No que se refere ao fenômeno, o mundo é representação. A essência da representação consiste na própria representação, sendo a vontade sua última essência. Portanto mundo e representação resultam em vontade.

Para Schopenhauer, a vontade é uma força que dá sentindo ao mundo, princípio de toda natureza, a qual se torna mais perceptível no ser humano. Essa força é capaz de despertar no homem sentimentos contraditórios, como prazer e dor, se configurando num ciclo, em que mesmo alcançando seu objetivo final, não se encerra.

O mundo é regido pela necessidade e a vontade atua como uma força cega que dá sentido a toda existência, sendo incapaz de uma satisfação final. Aspirando com constância novos objetos, a vontade jamais cessa ao atingir o alvo desejado. Com um querer insaciável, ela desperta no homem o sentimento de posse e de domínio, suscitando nele os sentimentos e atitudes mais perversas, lançando-o a uma angústia sem fim. Neste sentido o filósofo constata que a vida nada mais é do que uma luta constante, viver consiste em sofrer, em dor, pois não há uma satisfação duradora que dissipe o sofrimento humano. (FERREIRA, 2013).

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Arthur Schopenhauer acreditou que o mundo é feito a partir de vontades, sendo esta, uma a força incontrolável. Ela pode ocorrer através de diversos graus, chamados de claridade, onde o grau menor é representado pelas forças da natureza inanimada e o grau superior é representado pelo próprio homem, que transpassa entre o mundo vegetal e animal. Para ele, isto é a metafísica real.

Sendo a vontade a coisa em si, a substância, a essência do mundo; e a vida, o mundo visível, o fenômeno, não sendo mais que o espelho da vontade, segue-se daí que a vida acompanhará a vontade com a mesma inseparabilidade com que a sombra acompanha o corpo: onde houver vontade, haverá também vida. (Schopenhauer, 2005)

A força advinda da ação da natureza e do desejo é produzida a partir da vontade do homem. Segundo Redyson (2008), antes de se objetivar em diversos fenômenos, de se exprimir na multiplicidade dos indivíduos, a vontade se objetiva em formas eternas, imutáveis, que não estão nem no espaço nem no tempo. Schopenhauer intitula essas ideias como platônicas, que são os arquétipos das coisas íntimas do querer da natureza, que se traduz na intermediação que se dá entre a vontade e a diversidade e pluralidade individual.

Por meio do corpo existe a possibilidade de compreender que o mundo é vontade, surgindo à oscilação entre dores e prazeres, ausência das satisfações, desejos, concupiscência e decepções (REDYSON, 2008). Schopenhauer considera que a vontade se objetiva simultaneamente em ideias e fenômenos, sendo a unidade inicial da vontade, multiplicada através de dois princípios: causalidade e individuação. Por meio da multiplicação se constitui o chamado “mundo dos fenômenos”, que se conserva na expressão da vontade.

Em “O Mundo Como Vontade E Como Representação”, […] conclui-se que a coisa-em-si é a Vontade; os objetos que se seguem no espaço e no tempo, estando para a causalidade, são denominados Indivíduo – indivíduos cognoscíveis como sendo os objetos da percepção; e indivíduos cognoscentes, ou seja, aqueles capazes de perceber e apreender os objetos (Schopenhauer, Arthur. Metafísica do Belo. Unesp. 2003)

Fonte:http://investigacao-filosofica.blogspot.com.br/2010/06/apresentacao-da-representacao-intuitiva.html

Segundo Schopenhauer, ao declarar que “O Mundo é minha Representação”, considera que o mundo consiste no representar, o que implica afirmar que o mesmo está sob a dependência do sujeito. A representação trata desta dependência existente entre o sujeito e o objeto e a separação entre eles está situada no âmbito da representação, pois o que é visto se torna percebido. A percepção e experiência de cada ser humano dentro do mundo torna-se, de concreto a totalidade para tal sujeito. O seu campo de visão também é adotado como limitante dentro do universo. O homem toma suas próprias visões como sendo determinações do universo.

Outro conceito que deve ser explicitado para o melhor entendimento do pensamento schopenhaueriano, bem como seu desenvolvimento, é o da metafísica da vontade. Nascimento (2015) afirma que a vontade como princípio metafísico não deve ser entendida como mais um dos objetos da apreensão humana, já que tudo aquilo que pertence ao mundo, em sua totalidade, é apenas fenômeno da Vontade e não ela mesma.

Isso significa dizer, que a própria Vontade é distinta dos fenômenos que compõem o mundo, que as leis que regem este mundo de representações e de coisas perecíveis se diferem completamente do seu ser, daquilo que ela é em sua essência.

Logo, a vontade está isenta das formas essenciais dos objetos, isto é, tempo, espaço e causalidade não possuem nenhum significado em referência ao seu Ser; ela encontrou-se fora do tempo e do espaço, a Vontade, por sua vez, deve ser pensada independente dessas determinações das quais os fenômenos estão submetidos. (NASCIMENTO, 2015, p. 11).

Fonte:http://www.ecologiamedica.net/2016/03/a-tal-forca-de-vontade-para-emagrecer.html

Esta etapa de sua teoria é marcada pela cisão entre suas ideias e as de Kant. O motivo para tanto consiste na asseveração de Kant de que o conhecimento está dentro do ser humano, sendo o espaço e o tempo pertencentes à consciência humana. O homem então não conhece a essência do mundo, mas sim fenômenos que o constituem e a maneira de ter acesso a estes, é pelo meio racional.

Já Schopenhauer vai de encontro a estas afirmativas, ao defender que o homem somente conhece aquilo que percebe do objeto e esta percepção não é fiel à essência deste objeto, mas sim uma representação do que ele realmente é. A partir do momento em que o homem entende que o mundo se baseia na sua própria representação e vontade, ele torna-se consciente de que tudo que lhe é percebido são representações de fenômenos. Não mais se vê o sol, se tem conhecimento dos olhos que veem este mesmo sol. Os sentimentos e a racionalidade em conjunto possibilitam a ampliação do conhecimento, sendo que para alcançar tal, o elemento necessário é a existência do corpo, não apenas a razão.

Galvão (2010), afirma que Schopenhauer também apresenta o conceito de ideias platônicas, que mediam a vontade e os indivíduos, pois temos as entidades que não são nem vontade nem objetos que seguem a quádrupla raiz do princípio de razão (devir, conhecer, ser e agir) e do princípio de individuação (espaço-tempo), a saber: As Ideias Platônicas. Estas últimas são a instância média entre a Vontade e os indivíduos. A ideia é já a objetividade da Vontade, porém imediata, e, por conseguinte, adequada; a coisa-em-si, entretanto, é a Vontade mesma, na medida em que ainda não se objetivou, não se tornou representação.

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As ideias de Arthur Schopenhauer contribuíram de maneira significativa para a evolução do pensamento filosófico. Não há dúvidas de que ele revolucionou a história da filosofia, ao afirmar a importância dos sentimentos e da consciência do corpo como motor vital da vontade no homem, numa época histórica marcada pela exaltação da racionalidade em detrimento do corpo.

Suas afirmativas acerca do homem influenciaram fortemente outros filósofos e ampliaram os caminhos da filosofia como matéria teórica. Neste artigo, é possível verificar quão vasta é a obra de Arthur Schopenhauer, bem como a sua importância na compreensão dos fenômenos desencadeados a partir da compreensão do homem acerca das suas limitações.

O homem, apesar de esta limitado as representações do que experiência no mundo, pode ainda ampliar sua consciência ao se atentar para como compreende o mundo e o percebe. É a partir da apreensão de que o homem percebe o que conhece dos objetos, mas não a sua essência, que se compreende o mundo como sendo repleto de representações acerca do conhecido, devendo o homem ter consciência de tal fato para então, transpassá-lo e nascer dentro de si, o verdadeiro espírito filosófico.

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É no nascimento deste espírito, que se tem a plena certeza de que “o mundo é a minha representação”, é limitado ao ponto em que tomo por primícias apenas aquilo que se é conhecido. A fim de evitar ou diminuir essa limitação, o homem deve então buscar a gênese de sua vontade vital, o elemento fundamental que o faz querer, é a busca da coisa-em-si que move o mundo.

 

Referências

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