Relato sobre a preparação do próprio funeral: implicações psicológicas

Só se pode morrer quem está vivo. E eu estou muito viva, portanto, a qualquer momento posso morrer. A morte é algo que pode estar “programado”, no caso de a pessoa estar, por exemplo, em estado terminal de uma doença, ou nos pegar de surpresa, quando, por exemplo, se é atropelado, assassinado ou até mesmo sofrer um ataque cardíaco. Em todos os casos, a situação é que ninguém está de fato preparado para este momento, o que não deixa de ser curioso, pois a morte é uma das condições da vida e, ainda assim, aterroriza a muitos.

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Há algum tempo fiz um trabalho acadêmico cujo objetivo era elaborar o meu próprio funeral; assim, tomei a liberdade de me colocar nas duas situações descritas acima: a morte esperada e a morte surpresa. Enfatizo que não pretendo projetar o funeral em si, mas o antecedente a ele, pois acredito que o que eu fizer em vida será o meu legado e, baseado nisso, as pessoas próximas a mim são quem irão conduzir o funeral conforme eu merecer.

Supondo que neste momento, na minha doce juventude, eu esteja carregando alguma doença que pode me levar à estado terminal, pois não tenho conhecimento dela e não faço o devido tratamento (amanhã mesmo vou correndo fazer um check-up!), então, com o passar do tempo, me vejo no leito de um hospital, beirando o óbito. Nesse caso, com a premissa da minha morte, meu desejo é passar meus últimos dias fazendo o que gosto, com quem eu amo. Pretendo confortar o máximo possível meus entes e amigos queridos, para que minha morte não se torne um peso em suas vidas. Eu gosto muito de olhar fotos, então, acho que seria legal olhar todas da minha vida, talvez, até faça um book, denominado “Pré-perecimento”, até daria a ideia para meus familiares mostrá-lo no dia do funeral, mas como já disse, ficaria a critério deles.


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Agora, no caso de uma morte surpresa, bem, ela obviamente não é esperada (se é que alguma vez ela é “esperada” de forma direta, racional), então, eu não teria um aviso prévio e não poderia programar como passar meus últimos dias. Acredito, então, que a possibilidade de morrer a qualquer momento seja como uma força motriz que me impulsiona a viver a vida intensamente, aproveitá-la o máximo possível, ser uma pessoa que possa inspirar as outras, sem guardar mágoas, ressentimentos e inimizades, então se eu morrer amanhã, por exemplo, morrerei com a consciência leve, satisfeita com a vida que tive e sabendo que estarei partindo sem deixar nada mal resolvido para trás.

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Enfim, só morre bem quem viveu bem, ou pelo menos buscou nos últimos instantes deleitar-se da abundância de maravilhas que a vida oferece. Pensar demais, preocupar-se demais, sofrer demais, guardar coisas ruins… para que tudo isso? A vida é linda, mas não é infinita. Todos temos um “prazo de validade”, como um ingrediente de bolo. Então, antes que o prazo vença, vamos nos jogar e fazer da vida um bolo delicioso e que cada pedaço desse bolo faça as pessoas que dele provar mais felizes…

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“A morte não é nada para nós, pois, quando existimos, não existe a morte, e quando existe a morte, não existimos mais.”

                                                                       – Epicuro

Psicóloga em formação no Centro Universitário Luterano de Palmas - CEULP/ULBRA e estagiária no Portal (En)Cena